Um novo propósito para gestão de resíduos

Extrair a matéria-prima, produzir bens e descartar as sobras. Este modelo linear de produção, que vem desde a revolução industrial, mais de 250 anos atrás, é um dos grandes geradores de resíduos ao longo de toda a cadeia de valor dos produtos. Os resultados são escassez ou o esgotamento dos recursos naturais e criação de passivos ambientais causados pelos materiais descartados como rejeitos.

Sendo a Terra um sistema com recursos finitos e com capacidade limitada de regeneração, se não passarmos a utilizar os recursos naturais de maneira mais inteligente e eficiente, as consequências ambientais serão severas. Então, se faz urgente adotar um modelo sustentável. Por exemplo, a economia circular que, ao contrário da linear, estimula o modelo de desenvolvimento econômico em harmonia com o planeta. No lugar de “extrair, transformar e descartar”, as empresas e os consumidores precisam incorporar cada vez mais o conceito “reduzir, reutilizar e reciclar”.

A Lei 12.305, que dispõe sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), vai ainda mais longe ao detalhar as prioridades na gestão e gerenciamento destes resíduos. A hierarquia da PNRS começa com a não geração, passa pela redução, indo para a reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e termina na disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.

Coprocessamento, a solução para o descarte ambientalmente correto e seguro

Entre os tipos de resíduos de maior impacto estão os industriais e na hierarquia da destinação, logo após a reciclagem, está o coprocessamento como tratamento adequado. Ou seja, se o rejeito não pode ser reciclado, deve ser destinado para o reaproveitamento energético. A Votorantim Cimentos foi pioneira na utilização da tecnologia do coprocessamento no Brasil.

Os primeiros testes ocorreram em 1991, em nossa fábrica de Rio Branco do Sul, no Paraná. Atualmente, 14 das nossas unidades no País coprocessam diferentes tipos de resíduos, que substituem parte do coque de petróleo como combustível alternativo nos fornos de fabricação de cimento. No início, eram coprocessados apenas pneus inservíveis, que deixavam de ser um problema, como criadouro para proliferação de mosquitos, ou ocupar espaço em aterros sanitários, para voltar à utilidade como solução energética. As pesquisas avançaram e novos materiais foram incorporados, como diferentes tipos de biomassas. Entre elas, casca de arroz, cavacos de madeira, coco de babaçu, serragem e caroço do açaí.

Também são coprocessados resíduos industriais, como plásticos, papéis, têxteis com restos de óleo, líquidos e borras provenientes de limpezas de tanques ou de diferentes tratamentos industriais. Este ano, iniciamos um programa inédito na indústria de cimento nacional, o coprocessamento de parte do lixo urbano coletado na região de Sorocaba.

Nos últimos anos, investimos R$ 300 milhões em coprocessamento e vamos investir mais R$ 370 milhões nos próximos cinco anos nas nossas unidades no Brasil. Com esta tecnologia, combinamos ganhos econômicos e socioambientais. Mais recentemente criamos uma nova cadeia que vem gerando benefícios sociais, ao destinar para coprocessamento o caroço de açaí e coco de babaçu, aumentando a renda familiar de comunidades que vivem do extrativismo, no Pará e no Ceará.

Verdera, uma evolução para práticas sustentáveis

Como mais um passo em nossas práticas sustentáveis, lançamos este ano a Verdera, a nova marca da nossa unidade de negócio de coprocessamento. A Verdera tem atuação nacional e representa a nossa entrada no mercado como prestadores de serviços na gestão e destinação de resíduos. Atuamos como parceiros das industrias e empresas, ajudando os nossos clientes a gerenciar seus rejeitos de forma correta e sustentável.

Em São Paulo, Paraná e Santa Catarina, a Verdera oferece serviços de destinação para uma ampla gama de resíduos, incluindo aqueles que precisam ser triturados ou homogeneizados, a partir da operação de preparo localizada em Rio Branco do Sul (PR). Para os demais estados, atuamos com os resíduos que podem ser encaminhados diretamente para coprocessamento, sem a necessidade de nenhum tipo de preparo ou por meio de parceiros.

A nossa experiência na pesquisa, realização, expansão e melhorias na tecnologia do coprocessamento nos levou naturalmente a criar um novo negócio para atuar na cadeia de soluções ambientais. Sempre acreditamos que nem todo resíduo é lixo, já que para boa parte deles conseguimos dar um novo propósito. Eles deixam de ser um passivo ambiental e se transformam em energia alternativa para atender a uma necessidade do presente para um futuro mais sustentável.

– Eduardo Porciúncula é Gerente Geral de Verdera na Votorantim Cimentos.