Líder, é o momento de confiar, ousar e humanizar

O papel do líder na pandemia. Aprendizados que transcendem o momento de crise.

Vivemos um momento cheio de desafios e mudanças em nossa rotina de trabalho. Se por um lado, a insegurança e ansiedade aumentaram, por outro, temos que respirar e enxergar a oportunidade única que temos para repensar o papel do líder, os formatos de trabalho e, sobretudo, a importância de humanizar as relações e confiar nas pessoas.

Neste momento, o líder precisa assumir o seu papel de protagonismo com ousadia. Para começar, é preciso se livrar do micro gerenciamento com urgência. Se antes já era uma prática nociva, agora ela pode ser ainda mais danosa. Continuar acreditando que bons resultados só virão com pressão, cobranças e reuniões excessivas só irá sufocar a equipe, gerar apatia e contribuir para o sentimento de incerteza e insegurança.

E esses são sentimentos que definitivamente não combinam em uma realidade de trabalho cada vez mais remota.

É preciso confiar!! Estabelecer relações mais levesgenuínas agradáveis será cada vez mais indispensável para criar um ambiente fértil para o alcance de resultados extraordinários.

Uma relação de confiança vai permitir ao líder desempenhar o seu papel mais importante: o de inspirar, definir direção e criar um bom time para chegar lá. Ter uma equipe forte o bastante para “caminhar” com autonomia e, liberando assim, seu tempo para pensar de forma estratégica, criativa e trazer novos insights para empresa, para as pessoas e para melhorar ainda mais o ambiente.

Além disso, relações mais humanizadas devem pautar o futuro da liderança. Ouvir com empatia e aceitar que todos somos vulneráveis, com diferentes fragilidades, nos permite respeitar as individualidades. O líder não deve ter vergonha de expor suas fraquezas e de ser transparente. Afinal, somos todos seres humanos. Isso torna o ambiente mais verdadeiro, com a confiança necessária que uma boa relação merece.

Não por acaso, confiança, transparência e verdade são os atributos mais valorizados pelos profissionais segundo a pesquisa Carreira dos Sonhos 2019, realizada pela Companhia de Talentos.

A pesquisa teve como base as expectativas de estudantes e jovens no início de carreira e de profissionais da média gestão e da alta liderança. Ao todo, são mais de 96 mil respondentes no Brasil e outros 56 mil da América Latina, incluindo Argentina, Chile, Colômbia, El Salvador, México, Panamá, Paraguai e Peru.

A pesquisa aponta que o líder distante e imbatível, que nunca apresenta suas vulnerabilidades, não traz a coerência e a transparência tão necessárias para os dias de hoje. E sem transparência e confiança, fica muito difícil humanizar relações.

Sempre ouvi que nunca podemos desperdiçar as oportunidades de uma crise, por mais profunda que ela seja. E não deveria ser diferente nesse momento. Devemos aproveitar as reflexões que ele traz para continuar o nosso desenvolvimento como pessoa e como líder. As mudanças que vivemos hoje impactam as relações sociais e, claro, como consequência, o relacionamento entre os times, o líder e sua equipe. O líder que sair igual, com os mesmos comportamentos, terá perdido uma imensa oportunidade de se reinventar.

Enfim. É preciso ousar, é preciso ter confiança e é preciso coragem. Acredito que a pandemia antecipou o futuro e deixou ainda mais latente a necessidade de pensarmos quais são os melhores atributos que um líder deve ter. O que eram tendências apontadas pelo mercado, agora, nesse momento de profundas transformações, se tornam reais. Hoje, humanizar as relações, delegar, confiar e estar presente, mesmo que distante, devem ser a tônica da gestão de pessoas do amanhã que já passamos a viver.

Que sejamos melhores. Melhores no amor, melhores na dor… melhores em tudo.

– Cristiano Brasil é Diretor Global de Gente, Gestão e Comunicação na Votorantim Cimentos.