Concreto: inovação e sustentabilidade

Não dá para imaginar um mundo sem concreto. Ele é fundamental para construir a infraestrutura e garantir o funcionamento das cidades. O cimento é o insumo básico para a produção de concretos, que é hoje, depois da água, o material mais consumido no mundo. Para quem, como eu, trabalha em uma cimenteira, isso dá o maior orgulho, mas também uma grande responsabilidade.

Como muitos já ouviram falar, a produção do cimento contribui com emissões de gases que contribuem para o efeito estufa. O percentual de contribuição da indústria cimenteira nas emissões globais de CO2 é algo em torno de 7%. No entanto, o que poucos sabem é que a setor cimenteiro assumiu compromissos audaciosos de redução de sua pegada ambiental. Como parte desta iniciativa, o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) publicou em 2019 o Roadmap Tecnológico do Cimento, que discute as alternativas técnicas para a redução das emissões de CO2 pela indústria do cimento brasileira.

Trazendo esse desafio para dentro de casa, na Votorantim Cimentos temos objetivos ainda mais ambiciosos e queremos liderar essa corrida em busca de cimentos mais sustentáveis.

Para terem uma ideia de como isso se aplica na prática, só em 2019, desenvolvemos mais de 40 produtos com menor quantidade de clínquer, que é um constituinte fundamental do cimento e, assim, deixamos de emitir 245 mil toneladas de CO2. Isso foi conseguido pelo uso de adições, como cinzas volantes, fíler calcário, escórias básicas de alto forno, escórias ácidas e pozolanas naturais e calcinadas, como substitutos do clínquer. Aliás, nossos trabalhos relativos ao uso de adições ao cimento já foram vencedores de vários prêmios como, o Prêmio Dr. Clemente Greco e o de Inovação da CNI – Confederação Nacional das Indústrias.

Sem dúvida, a substituição parcial do clínquer por estas adições é a alavanca mais importante para a redução da pegada ambiental da indústria de cimento. Mas existem outras – parte do CO2 liberado durante a fabricação do cimento é decorrente do uso de combustíveis fósseis e, aqui, a Votorantim Cimentos tem trabalhado intensamente na substituição destes combustíveis tradicionais por combustíveis alternativos, em um processo chamado coprocessamento.

A relevância do coprocessamento é tão grande para a Votorantim Cimentos que foi até criada uma unidade de negócio dentro da companhia, a Verdera, focada exclusivamente na viabilização do uso de combustíveis alternativos. Atualmente, 14 das nossas unidades no Brasil coprocessam resíduos. No início, eram coprocessados apenas pneus. Agora já temos biomassas, resíduos industriais e até lixo urbano. Em 2019, estes combustíveis alternativos substituíram 22% dos combustíveis tracionais usados pela Votorantim Cimentos globalmente. A atuação da Verdera também impediu que 806,3 mil toneladas de resíduos fossem depositadas em aterros ou incineradas, só em 2019.

Finalmente, uma terceira maneira de reduzir a pegada ambiental do processo de produção do cimento é a captura, estocagem e reutilização do CO2 emitido pelas fábricas. Iniciativas neste sentido ainda estão em fase de pesquisa e desenvolvimento pela indústria, mas ainda nenhuma encontra-se implementada em larga escala. Como exemplo de engajamento da Votorantim Cimentos nesta frente, vale mencionar os estudos para a captura de CO2 por algas, que depois são usadas como combustíveis nos fornos de clínquer, conduzidos pela nossa empresa no Canadá.

Até 2050 seremos nove bilhões de pessoas no mundo e a demanda por cimento só irá aumentar. Como indústria temos que ajudar a construir a base para que esse crescimento ocorra de forma sustentável e com produtos inovadores, que entreguem desempenho aceitável para o cliente. Vários passos já foram dados e não pararemos até atingir essa meta com alta dose de inovação e sustentabilidade.

– Silvia Regina Vieira é Gerente Geral de Pesquisa e Desenvolvimento na Votorantim Cimentos.